-Vejo em ti beleza mais estonteante que das flores, airosa minha. És flor tão colorida, farta, clara. Anseio por beijar as pétalas lisas que são teus lábios como anseio milênios contemplando-te de perto, senão ao lado teu. Dá-te inteira a mim?

-Se formosura contasse almas, o mundo teria mirrado antes de criar-se. Quem o vê falar de tal forma, de imediato conclui que respira ingenuidade. Ora, não é vã toda a rosura da flor quando seu aroma injeta veneno em quem o respira? Quão infeliz é o homem que, por ânsia de tocar a amada, não mede os movimentos e com desejo desatinado beija tua corola tóxica. Ora, não é irônico que o enfeite das manhãs torna em sangue os que o admiram? Sou destas flores, ignaro imprudente, sou destas que dá-te um beijo e toma-te o fôlego, sem rodeios. Se minha formosura enchesse rios, não haveria tanta seca. Um basium, como quiseres, mas penses bem se vale minha beleza tomar todos teus dias. Não serias o primeiro.

Carol Vaz

Posted on Saturday 18th February 2012 with 7 notes
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