A Profecia das Estrelas

O espaço do céu terrestre sempre me seduziu, mas nunca me bastou. Nasci com um espírito de busca, caça e investigação que me estimula a ir além. Ir além-mundo, adiante do tempo desta atmosfera - correr no cinturão brilhante do Planeta dos Anéis, Saturno - e quem sabe ser experimentador de um inédito frenesi. Nesse meu ardor constante pelo longínquo, as estrelas é que me chamam mais atenção. Cada estrela é uma porta. Essas portas conduzem a caminhos, que reservam seus aventureiros a um fim exclusivo. O que diferencia as estrelas de uma estrada é a maneira como fluem seus cursos. Enquanto rodovias são cruzadas pela força e capacidade do homem, que conduz sua viatura, as estrelas é que transpõem o homem, pela rota que lhes for melhor impor, a seu bel-prazer. Toda noite costumava analisar os acontecimentos colocando em estudo os astros: “Quantas confissões já presenciaram? São confiáveis para guardar segredos? Até que ponto suas posições influenciam no comportamento dos seres? Seriam capazes de anunciar o fim dos tempos?”. Toda noite, também, antes de me permitir fechar os olhos, imaginava se em algum satélite distante alguém me observava escondido, talvez aguardando pelo momento oportuno de me aparecer. Eu ainda não podia dizer o que de especial carregam as luas, apesar da convicção do quanto eram poderosas. Fazia questão de orar, baixinho, pedindo que alguma delas me trouxesse fé em um amor que esse mundo já não mais ensinava. Esse mundo já nada ensina.

Carol Vaz, excerto de “A Profecia das Estrelas”

Posted on Saturday 18th February 2012 with 10 notes
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